A MUBi participou na Velo-city 2022, que decorreu de 14 a 17 de Junho em Lubliana, na Eslovénia, e apresentou o trabalho que tem vindo a fazer para promover a igualdade de género, maioritariamente dentro da nossa associação.

De 14 a 17 de Junho decorreu o encontro anual Velo-city, a maior conferência internacional dedicada à utilização da bicicleta, organizado pela European Cyclists’ Federation (ECF), rede europeia da qual a MUBi é uma das duas associações membro.
Com um resumo submetido no final de 2021, a MUBi teve mais uma vez o privilégio de ter sido seleccionada para dar a conhecer o seu trabalho. Este ano, a nossa apresentação teve o tema “Promover a igualdade de género na advocacia da mobilidade em bicicleta: o caso da MUBi”, incluída no painel “Towards more gender equality”. Todos os anos, esta temática tem sido alvo de apresentações e debate, do que se faz a nível internacional.
Gender Gap na mobilidade em bicicleta
A promoção da utilização da bicicleta como meio de transporte enfrenta vários desafios, sendo um dos mais importantes a disparidade de género – uma questão mais evidente em alguns países. Em Portugal, assume alguma relevância. Assim, a MUBi assumiu como uma das suas tarefas educar e sensibilizar para a inclusão das mulheres, começando pela nossa organização, com o intuito final de ter maior proporção de ciclistas mulheres a pedalar nas nossas cidades.
Um breve contexto para se entender a disparidade de género na mobilidade em bicicleta: em 2017, apenas 17% das pessoas que pedalavam em Lisboa eram mulheres. Esta representação passou para 26% em 2020[1].
Em países como a Holanda, existe até maior proporção de mulheres a pedalar do que homens – por vários motivos, como haver mais infraestrutura ciclável, segurança rodoviária, ser culturalmente aceite e a bicicleta ser assumida como um veículo de mobilidade.
O que tem a MUBi feito para a igualdade de género
Não sendo uma preocupação recente, este trabalho começou com um diagnóstico da lacuna de género no uso da bicicleta em geral, e dentro da nossa organização em particular. Analisámos os dados de género da nossa equipa, das pessoas associadas e de seguidores nas redes sociais. Deste modo, foi possível criar um plano de acção para aumentar a representação de mulheres na MUBi, com a definição de indicadores que permitissem a monitorização do trabalho desenvolvido.
Algumas das acções que já foram sendo realizadas:
- Debate interno sobre questões de género
- Recrutamento activo de mulheres: para os órgãos sociais, grupos de trabalho, representação em iniciativas
- Criação de um grupo de trabalho de mulheres
- Alterações ao nível da comunicação externa – site, newsletters, redes sociais – com a utilização de linguagem neutra ou de imagens que exibem diversidade de pessoas, em termos não só de género, como também idade, cor da pele.
Este ano, foi criado o Grupo de Trabalho de Mulheres associadas da MUBi, que reuniu online duas vezes. Com a participação de mulheres de diferentes cidades do país e até representantes de várias associações e movimentos, foi possível partilhar experiências, trocar ideias de iniciativas e planear acções a realizar. Foi assim que surgiu o Manifesto 8 Março – 8 Reivindicações.
Alguns resultados já alcançados
A representação de mulheres em órgãos sociais da MUBi aumentou de 6% em 2018 para 40% em 2022. Nos grupos de trabalho, aumentou de 21% em 2020, para 29% em 2021. Em 2016, a percentagem de novas mulheres associadas era 13%, tendo vindo a aumentar gradualmente e em 2021 atingido o valor mais elevado (30%) desde a criação da MUBi.
Estes resultados serão fruto do próprio contexto social em que vivemos em relação à mobilidade, com mais mulheres a andar de bicicleta – devido à melhoria das condições para pedalar, como infraestrutura ciclável, sistemas de bicicletas partilhadas ou apoios à aquisição de bicicletas, mas também pelo trabalho activo que temos feito na MUBi.
A nossa comunicação
Podes descarregá-la aqui.
[1] Rosa Félix et al. 2021









