Paulo Barros
12 de Janeiro de 1969 – 29 de Março de 2023

O Paulo nasceu em Luanda.
Quando veio para Portugal, foi viver para o prédio nos Olivais, onde ainda hoje vivemos no 5.º andar.
Conheci o Paulo numa festa comum de aniversário com colegas da Faculdade. O que me cativou no Paulo foi o seu olhar meigo, a gargalhada espontânea e a sensação de aconchego.
O Paulo gostava do Sol, da Lua, das árvores, do mar, de ler, do Senhor dos Anéis, das coisas simples da vida.
Quando o João nasceu, foi pai e mãe ao mesmo tempo. Fazia patrulhas longínquas com o João ao colo.
Ensinou o João a abraçar as árvores, a apreciar a Lua e a não ter medo das trovoadas. O João ensinou o pai a jogar xadrez.
O Paulo gostava de apanhar lixo do chão, das praias, plantar árvores, fazer caminhadas, subir montanhas, andar de bicicleta, fazer remo e canoagem, cuidar do jardim lá do prédio, o Jardim da D. Isabel.
A D. Isabel era a sua mãe. Amavam-se muito, como uma mãe ama um filho e um filho ama uma mãe. Agora estão juntos.
O Paulo gostava de rock progressivo, em especial dos YES. Estivemos casados 24 anos. Namorámos cinco.
O Paulo era dador regular de sangue. Tem até um diploma de reconhecimento. Sábado, 25 de março de 2023, foi fazer a sua última dádiva.
O Paulo passava por aqui quase diariamente, de bicicleta, entre a casa e o trabalho, na Junta de Freguesia de Marvila. O Paulo foi morto aqui, às 15h50 do dia 29 de Março de 2023, abalroado por um carro em alta velocidade, quando ia buscar o filho à escola.
O Paulo é o amor da minha vida, o nosso amor, o nosso pai.
Susana Barros