Massa Crítica de Lisboa pede acções urgentes aos Deputados e Presidente da República

Ontem a Massa Crítica (MC) de Lisboa foi à Assembleia da República tentar entregar um documento no qual manifesta preocupação com a recorrente tragédia de pessoas em bicicleta a morrerem nas nossas estradas e ruas – particularmente acentuada neste início de 2025.

O documento apresenta um conjunto de modestas, mas muito importantes, reivindicações apelando aos nossos deputados para que tomem medidas de forma a que este tipo de tragédias deixe de acontecer. 

Devido ao tardar das horas não foi possível entregar, mas o documento foi lido e fixado juntamente com um dos sinais de trânsito que ajudaria, a curto prazo, a aumentar a informação, consciência e fiscalização dos condutores de automóveis. 

De seguida a MC pedalou até Belém onde entregou o documento no palácio presidencial. 

A MUBi apoia e subscreve o documento e apela aos deputados à Assembleia da República e ao Presidente da República a darem a devida atenção ao seu conteúdo. A recorrente morte de pessoas em bicicleta, seja em estradas seja em arruamentos urbanos, não é admissível. Num contexto onde Portugal é um dos tristes líderes das estatísticas Europeias pelo acentuado número de pessoas atropeladas e, em consequência disso, mortas ou permanentemente incapacitadas, reforçamos que é preciso travar este flagelo.

Estas mortes não são “acidentes”: são o resultado de décadas de políticas públicas centradas no automóvel, pelo que cabe igualmente às políticas públicas reverter a situação, através de sinalização, de informação, de sensibilização, de fiscalização e da vulgarização do limite de velocidade 30km/h nas nossas cidades

Por estradas e ruas seguras para todos. 

Caixa com o texto integral do comunicado da MC:

Exm.º Senhor Presidente da República Portuguesa
Marcelo Rebelo de Sousa
Exm.º Senhor Presidente da Assembleia da República
José Pedro Aguiar-Branco
Exm.ºs Senhores Deputados
de TODOS os partidos, sem exceção

Portugal vive um verdadeiro flagelo de sinistralidade viária. Morrem pessoas de forma violenta, por causa dos comportamentos e infraestrutura que priorizam o automóvel e as suas velocidades, nas suas estradas, avenidas e ruas. A inação legislativa atrasa as melhorias que o país precisa:
⚠️ para reduzir a impunidade da condução automóvel abusiva;
⚠️ para reduzir a velocidade na via pública, em especial dentro das áreas urbanas e localidades, e;
⚠️ para reduzir a violenta morte de tantas pessoas de todas as idades quando se deslocam a pé, em bicicleta, ou em qualquer outro modo.

 🤍🚲🤍 Aqui muito perto, na Avenida da Índia, em Belém (Lisboa) a 2,7 km de distância, morreram:
– Patrizia Paradiso, 37 anos, 26 Junho 2021 (frente à Fundação Champalimaud).
– Homem de trotineta, 15 outubro 2021 (frente à Cordoaria Nacional).⁠
– Pedro Sobral, 51 anos, 21 Dezembro 2024 (frente à Cordoaria Nacional).

Em 2025, em apenas 10 dias:
– Justino Oliveira, 64 anos, 4 Janeiro 2025, (Oliveira de Azeméis).
– Diogo Bicho, 17 anos, 12 Janeiro 2025 (Arruda dos Vinhos).⁠
– Bruno Ferreira, 25 anos, 13 Janeiro 2025 (Famalicão).⁠
– Mulher, 60 anos, 14 Janeiro 2025 (Cantanhede).

 🤍🚲🤍 Porquê tantas mortes? Falta-nos infraestrutura, informação, sensibilização. Como é que os decisores políticos neste país vivem descansados com este cenário aterrador?

🇪🇸 Em Espanha há um sinal que alerta para a possibilidade de encontrar ciclistas na estrada, acompanhado de um outro, complementar, que indica que a manobra de ultrapassagem de ciclistas deve fazer-se ocupando a via adjacente.

🇵🇹 Em Portugal a obrigatoriedade de ocupar a via adjacente nas ultrapassagens está inscrita no Código da Estrada. Entretanto, a prática é outra.

🚴🏼‍♀️🚴🏾‍♂️ O sinal espanhol reforça que pessoas em bicicletas podem andar a par. E está a ser ponderada uma nova norma que obriga os automobilistas a reduzir a velocidade até 20 km/h abaixo do limite da via ao ultrapassar um ciclista. 

🇵🇹 Também em Portugal pessoas em bicicleta podem circular a par na estrada, existe a obrigatoriedade de respeitar 1,5 m de distância na ultrapassagem, e de ocupar a via adjacente. A diferença é que por cá ninguém sabe dessa regra… a não ser os próprios ciclistas.

Queremos:

⚠️ a mesma sinalização em todas as estradas portuguesas;

📚 a actualização dos manuais das escolas de condução;

🗣️ 📲 ⁠uma campanha de sensibilização assertiva na comunicação social;

✋👮🏽‍♂️ um sistema de fiscalização eficiente que induza os cidadãos a cumprir as regras;

✏️ ⁠a mudança de léxico, para que sinistros deixem de ser chamados de ‘acidentes’ e as responsabilidades passem a ser atribuídas;

3️⃣0️⃣ que a velocidade 30km/h passe a ser a regra nas cidades portuguesas, para que os erros deixem de ser fatais

✅ e infraestrutura adequada para ser possível deslocar-se em bicicleta em segurança.

🫂 Pessoas que andam de bicicleta – por desporto, lazer ou como meio de transporte quotidiano – juntam-se para pedir segurança em todas as estradas, avenidas, e ruas do território português.

 🚲🤍 Massa Crítica no dia 31 de Janeiro de 2025 🤍🚲 

Queremos lembrá-los que a nossa vida importa, que ninguém deveria sentir-se inibido a usar bicicleta e que, pelo contrário! O uso da bicicleta deve ser promovido e acarinhado devido aos inúmeros benefícios sociais, económicos, ambientais, e sanitários, que aporta para o país.
Por isso há que investir em infraestrutura, generalizar a velocidade 30km/h nas áreas urbanas e localidades, e sensibilizar e informar quem conduz.

A segurança para quem usa bicicleta é imprescindível. E saudável:🚴‍♀️ para quem a usa🌱 para os demais🏠 para as cidades🇵🇹 para o país💪🏼 Temos direito a usar as ruas, avenidas, e estradas, sem medo. E sem que isso nos custe a vida! 

🚗 Menos carros! 🚴‍♀️ MAIS BICICLETAS! MAIS PESSOAS!

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